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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
encruzilhada do tempo
o presente se vive como lembrança
e como futuro
as aspirações e desejos impossíveis enfim realizados.
Todos os caminhos percorridos na velocidade infinita
e todos trazem de volta ao mesmo:
verdadeira espiral do tempo.
Ao invés de nos lançarmos na distância criadora,
afundamos mais e mais em nós, sem mais, nem menos,
ah, quisera eu viver lá nesse instante sem voz
em que a encruzilhada habita, liberta, a memória
estraçalhando a carne com meus dentes de urso.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Últimos dias de desterro
Todas programadas desde cedo essas aflições
estupidamente acolhidas
vividas até o fim
impiedosamente produzidas.
Sim, existe essa coisa inimaginável:
máquina de produzir aflições
sob a pele
reproduzindo em nós os desejos alheios.
Ela produz
reproduz
programa
até assume o controle.
Mas veja, agora, como ela se cala:
é que ela não sabe nadar nas águas douradas da lagoa
quando no mundo os ruídos são mais fortes
é que ela nada pode contra o encontro dos ventos, das rochas, das águas
correntes que nos atravessam de fora.
A máquina não é o império.
Veja como, agora, ela se cala:
nada pode contra as alegrias nascidas dos bons encontros
que trocam palavras, abraços, confiança
nada pode, essa máquina, contra os amores que se vivem intensamente e apesar de.
Movimentos que enlaçam, conspiram, atravessam.
Nem fora, nem dentro
mas por toda parte
sempre algo se produz
que as aflições se calem é a conquista dos domadores de monstros
seres sem carne nem osso
são feitos de correntes e fluxos
que escapam atravessam
que não se podem conduzir
são feitos de águas e ventos e rochas
de peles, de cheiros, de fluxos.
São a vida em estado desfixo.